O Colóquio a história do fogo em Portugal, é o trabalho de uma equipa de investigadores/as cuja apresentação de resultados acontece no dia 26 de outubro na Casa do Povo de Alferce em Monchique – Dr.es Miguel Carmo e José Miguel Ferreira
17 de outubro de 2024

Projeto de investigação sobre a história do fogo em Portugal do Instituto de História
Contemporânea organiza colóquio em Alferce na Serra de Monchique
A dimensão e o impato dos incêndios têm-se vindo a agravar na realidade portuguesa,
assim como em muitos outros lugares do mundo. A relação entre as políticas nacionais
para o território e a história local do fogo permanece por conhecer e discutir em
profundidade. Nesse sentido, o Instituto de História Contemporânea (IHC) da Faculdade
de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de LIsboa (NOVA FCSH) promove o
colóquio Paisagens de Fogo de Monchique: História e Memória dos Incêndios nas Serras
do Sul, no dia 26 de outubro de 2024 na Casa do Povo de Alferce. Trata-se de uma
iniciativa do projeto FIREUSES, Paisagens de fogo: Uma história política e ambiental dos
grandes incêndios em Portugal (1950-2020), com entrada livre mas de inscrição
obrigatória.
O projeto FIREUSES, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, ocupa-se
da história e memória do fogo, a partir da recolha de experiências de encontros com o
fogo nas zonas serranas de Monchique e Silves, bem como registos documentais
variados, coletados em arquivos históricos locais e nacionais. Numa escala temporal
alargada, a história do fogo em Monchique contribui para uma história política e científica
do fogo de recorte nacional: nas últimas décadas do século XIX as serras portuguesas
passaram a ser imaginadas como paisagens sem fogo.
A exclusão das práticas de fogo rurais foi apoiada por um consenso científico crescente,
que as inscreviam numa narrativa multissecular de destruição ambiental. O aparato
científico e administrativo que passou a governar e interpretar os sistemas agrícolas de
montanha concebeu o fogo como “inimigo” da floresta, relegando para a invisibilidade e
ilegalidade os saberes agrícolas de co-existência com o fogo. Em grande medida, porém,
as tentativas de controlo e restrição do fogo falharam. Os incêndios rurais tornaram-se
cada vez mais comuns e destrutivos, devastando um território a cada ano mais
inflamável devido a uma combinação de êxodo rural, abandono agrícola, expansão da
vegetação natural, monoculturas de eucaliptos e pinheiros, e alterações climáticas.
Nos meses de verão, outrora dedicados às roças e queimas extensivas, os avisos
insistentes sobre o risco de incêndio dominam as emissões de rádio e televisão. Numa
irónica volta do destino, a recuperação das “perniciosas tradições” do fogo, como o fogo
controlado e o contra-fogo, são agora apresentadas pelos especialistas como uma saída
para este enigma ardente.
Este colóquio dará a conhecer os resultados do FIREUSES e será um momento de partilha
de perspetivas acerca da relação entre pessoas, fogo e território. Além da equipa do
projeto, participam neste encontro investigadores do projeto BRIDGE – Unir a ciência e as
comunidades locais para a redução do risco de incêndios florestais – e responsáveis pela
gestão dos incêndios rurais das câmaras municipais de Monchique e Silves, bem como
do ICNF Algarve.
Estarão patentes, durante o colóquio, fotografias de António Maria Callapez (1908-1997).
A obra deste fotógrafo amador traz-nos um olhar sobre o património natural e cultural da
serra de Monchique entre as décadas trinta e sessenta do século XX, captando
paisagens, gestos e tradições hoje muito alterados ou desaparecidos.
Mais informação em ihc.fcsh.unl.pt/wp-content/upl...024/09/2024-10-
26_Paisagens-Fogo_Programa_web.pdf
Inscrições em fireuses@fcsh.unl.pt ou através do telefone 282 910 200. O transporte é
assegurado a partir de Marmelete e Monchique pela Câmara Municipal de Monchique.



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    • Tavira, Portugal